ROAS Real: O Que Sua Contabilidade Não Te Mostra
Todo mês, o contador entrega um conjunto de relatórios: balancete, demonstração do resultado, apuração de impostos. Os números estão corretos para o que a contabilidade se propõe a fazer, que é registrar a realidade da empresa de acordo com a legislação e as normas. O problema aparece quando o dono tenta usar esse mesmo material para decidir quanto investir em anúncios, qual canal escalar ou quais produtos manter. A contabilidade responde bem à pergunta "o que aconteceu no mês, de acordo com as regras?" e responde mal à pergunta "qual campanha deu lucro?".
O ROAS Real nasce para cobrir essa lacuna. Ele mede, para cada campanha ou canal, quanto de margem de contribuição foi gerado para cada real investido em mídia. Não substitui a contabilidade, nem a contradiz; complementa com uma visão gerencial que a contabilidade, por desenho, não oferece. Entender o que cada uma mostra e o que cada uma esconde é o primeiro passo para usar as duas de forma inteligente.
Neste artigo, comparamos a visão contábil e a visão gerencial, explicamos as diferenças de critério que distorcem a leitura, mostramos com um exemplo numérico como uma empresa pode ter lucro no demonstrativo e prejuízo em uma campanha, e propomos uma conversa produtiva com o contador. Os valores do exemplo são hipotéticos e servem para treinar o raciocínio.
O que a contabilidade faz bem
É importante começar com justiça. A contabilidade é indispensável e cumpre funções que nenhum painel gerencial substitui: escritura as operações, apura impostos, garante conformidade com a legislação, elabora demonstrações que bancos e investidores aceitam e protege a empresa de problemas fiscais. Seus critérios são padronizados justamente para que os números sejam comparáveis e auditáveis.
- Conformidade: registros e obrigações acessórias dentro do prazo e das regras.
- Apuração de impostos: cálculo da carga tributária conforme o regime da empresa.
- Visão patrimonial: ativos, passivos e patrimônio líquido.
- Resultado do período: receitas e despesas reconhecidas na competência correta.
Nada disso é falha ou limitação a ser corrigida. É o escopo próprio da área. A questão é que o escopo da contabilidade e o escopo da gestão de campanhas não coincidem, e quem trata um como se fosse o outro toma decisões com informação incompleta.
O que a contabilidade não mostra
As limitações da visão contábil para a gestão de mídia vêm de quatro características de como os dados são organizados.
- Agregação: a despesa de anúncios aparece como uma linha, "marketing" ou "publicidade", sem separar campanha, canal ou produto. O demonstrativo diz quanto se gastou, não onde cada real trabalhou.
- Receita sem origem: a receita é registrada por nota ou por venda, sem a informação de qual anúncio a originou. Não há ligação entre o gasto e a venda que ele provocou.
- Custos médios: o custo das mercadorias vendidas costuma ser apurado por inventário e por método de custeio, o que resulta em médias do período, e não no custo de cada pedido.
- Defasagem: os relatórios saem depois do fechamento, geralmente dez a vinte dias após o fim do mês. Uma campanha que perde dinheiro por três semanas só aparece no demonstrativo quando o prejuízo já está consolidado.
Em conjunto, essas características fazem com que o demonstrativo seja um bom retrato do passado agregado e um mau instrumento de decisão sobre campanhas em andamento. Para decidir, o dono precisa de dados granulares, atualizados e ligados à origem da venda.
Competência e caixa: a primeira fonte de confusão
A contabilidade trabalha, em geral, em regime de competência: a receita é reconhecida quando a venda ocorre e a despesa quando ela é incorrida, independentemente do momento do pagamento. Já a gestão de mídia precisa também da visão de caixa, porque a verba de anúncios é paga rapidamente, e o dinheiro das vendas parceladas chega ao longo de meses.
Considere uma campanha de dezembro. A despesa de mídia é debitada no cartão em dezembro e reconhecida no mesmo mês. As vendas são reconhecidas em dezembro, mas o dinheiro das parcelas entra de janeiro a junho, com antecipação opcional e paga. Devoluções de presentes ocorrem em janeiro e entram no resultado do mês seguinte. O demonstrativo de dezembro mostra um lucro bonito, e o de janeiro pega o impacto das devoluções, sem relacionar uma coisa à outra.
Para avaliar a campanha, é preciso juntar tudo: a receita de dezembro, a devolução de janeiro, o custo da antecipação e o custo da mídia. O ROAS Real faz esse agrupamento por campanha, enquanto a contabilidade, por desenho, o faz por período.
Custo da mercadoria: média do período versus custo do pedido
Na contabilidade, o custo da mercadoria vendida costuma ser calculado a partir do estoque inicial, das compras do período e do estoque final, ou por método de custo médio. O resultado é um número agregado do mês. Para campanhas, o que importa é o custo dos itens efetivamente vendidos por aquele anúncio, que pode ser bem diferente da média.
Suponha que o custo médio apurado seja de 42% da receita. Uma campanha de liquidação, que vende itens de giro lento com desconto, pode ter custo de 62% da receita, enquanto uma campanha de itens de entrada pode ter 35%. A média de 42% não revela nenhum dos dois casos. Ao usar a média para decidir, a empresa superestima a margem das promoções e subestima a margem dos itens de maior valor agregado.
É por isso que o ROAS Real exige o custo por item vendido, extraído do ERP no momento do pedido. Quanto mais próximo do custo real do item, mais confiável a decisão sobre a campanha que o vendeu.
Impostos: carga efetiva, crédito e substituição
A carga tributária de uma venda depende do regime da empresa, do produto, do estado de destino e de eventuais benefícios. No Simples Nacional, por exemplo, a alíquota efetiva varia conforme a faixa de faturamento acumulado, o que significa que o imposto por pedido muda ao longo do ano. Em outros regimes, créditos de impostos sobre compras reduzem a carga líquida. Produtos sujeitos a substituição tributária têm tratamento próprio.
Para o ROAS Real, o ideal é utilizar um percentual gerencial por categoria de produto, definido em conjunto com o contador. Esse percentual não é a apuração oficial, mas representa bem o imposto médio embutido no preço. Ele precisa ser revisado quando a faixa muda, quando o mix muda ou quando a legislação se altera. Usar uma alíquota genérica de 6% ou 10% sem confirmar com a contabilidade é uma das fontes mais comuns de erro nas planilhas gerenciais.
Taxas, comissões e frete: onde a contabilidade os guarda
Gateways de pagamento, marketplaces e transportadoras cobram taxas que podem ser lançadas de formas diferentes na contabilidade. Algumas empresas registram a receita líquida do repasse; outras registram a bruta e lançam as taxas como despesas; outras ainda consolidam o frete em uma conta única de despesas logísticas. Todas as formas podem ser corretas contabilmente e, ao mesmo tempo, impedir a visão por campanha.
- Se as taxas estão na receita líquida, a margem aparece correta no total, mas o canal fica oculto.
- Se o frete está agregado, não é possível saber o custo de entrega por pedido, por região ou por produto.
- Se o parcelamento tem antecipação, o custo financeiro pode aparecer como despesa financeira, longe da campanha que o originou.
A solução gerencial é reconstituir esses custos por pedido a partir das fontes originais: relatórios do gateway, extratos do marketplace e faturas da transportadora. Isso permite que cada campanha receba sua parcela correta de taxa e frete.
Exemplo numérico: lucro no demonstrativo, prejuízo em uma campanha
Considere uma loja com receita de R$ 300 mil em um mês e três campanhas de mídia que somam R$ 60 mil. O demonstrativo contábil, depois de impostos, custo, taxas, frete e devoluções, mostra uma margem de contribuição consolidada que, após a mídia, deixa algum lucro antes das despesas fixas. Parece saudável. Mas o consolidado esconde diferenças relevantes entre as campanhas. Os números abaixo são hipotéticos.
| Campanha | Mídia | Receita aprovada | Margem de contribuição | Margem (R$) | ROAS Real | Resultado após mídia |
|---|---|---|---|---|---|---|
| A: remarketing | R$ 10.000 | R$ 55.000 | 40% | R$ 22.000 | 2,20 | mais R$ 12.000 |
| B: público frio, itens de entrada | R$ 30.000 | R$ 150.000 | 25% | R$ 37.500 | 1,25 | mais R$ 7.500 |
| C: liquidação | R$ 20.000 | R$ 95.000 | 18% | R$ 17.100 | 0,86 | menos R$ 2.900 |
| Total | R$ 60.000 | R$ 300.000 | 25,5% | R$ 76.600 | 1,28 | mais R$ 16.600 |
O total mostra um ROAS Real de 1,28 e um resultado positivo de R$ 16.600 antes das despesas fixas. Quem olha apenas o consolidado conclui que a mídia está funcionando. Quem olha por campanha percebe três coisas. Primeiro, a campanha A rende mais, mas recebe apenas um sexto da verba. Segundo, a campanha B é saudável, mas depende do remarketing e da recompra para se justificar. Terceiro, a campanha C perde R$ 2.900 e consome um terço da verba total. Se a empresa realocasse R$ 15 mil da C para as campanhas A e B, mantendo os mesmos retornos, o resultado melhoraria sem aumentar a mídia total.
Por que o consolidado engana
O consolidado funciona como uma média, e médias escondem dispersão. Campanhas com margens muito diferentes se compensam entre si, e o total parece razoável mesmo que parte do dinheiro esteja sendo desperdiçada. Além disso, o consolidado dilui sinais de alerta: uma campanha que passou de 1,3 para 0,9 em três semanas pode ser compensada por outra que subiu de 1,5 para 2,0, de modo que o total quase não se move.
Por isso, a gestão de mídia precisa de visões por campanha, por canal e por categoria, além do total. A pergunta "quanto a mídia rendeu?" tem resposta no consolidado. A pergunta "onde colocar o próximo real?" só tem resposta no detalhe.
Conciliando o modelo gerencial com o demonstrativo: um exemplo
A conciliação é o momento em que o modelo ganha credibilidade, e um exemplo ajuda a entender o método. Suponha que, no mês da loja do exemplo anterior, o modelo gerencial aponte uma margem de contribuição total de R$ 76.600 antes da mídia, enquanto o demonstrativo contábil, ao somar as mesmas linhas de custos variáveis, resulte em uma margem de R$ 70.100. A diferença é de R$ 6.500 e precisa ser explicada, linha por linha.
| Origem da diferença | Valor | Explicação |
|---|---|---|
| Devoluções de pedidos do mês anterior | menos R$ 3.200 | A contabilidade reconheceu no mês corrente; o modelo vinculou ao pedido original, de outro período |
| Perdas e ajustes de estoque | menos R$ 2.100 | Apurados por inventário e lançados no custo contábil; o modelo não os aloca por pedido |
| Taxas de antecipação | menos R$ 900 | Lançadas como despesa financeira, fora dos custos variáveis |
| Embalagens e insumos | menos R$ 300 | Lançados na contabilidade como custo variável e ainda ausentes do modelo |
| Total explicado | menos R$ 6.500 | Diferença conciliada |
Em vez de uma divergência misteriosa, a empresa passa a ter quatro explicações, cada uma com um possível encaminhamento. As devoluções do mês anterior indicam que o modelo precisa de uma visão por safra de pedidos, e não apenas por mês. As perdas de estoque sugerem incluir uma provisão percentual por categoria no modelo. As taxas de antecipação podem ser incluídas nos custos variáveis do modelo. E embalagens e insumos podem ser rateados por pedido. Cada ciclo de conciliação reduz a diferença seguinte.
Marca, recompra e o que o ROAS Real não captura
Nenhum indicador de curto prazo mede tudo. O ROAS Real mede bem o retorno imediato de uma campanha, mas não captura integralmente efeitos que levam tempo: reconhecimento de marca, recompra, indicação, reputação. Uma campanha de vídeo que apresenta a marca pode ter ROAS Real baixo no mês e contribuir para que a campanha de remarketing e as buscas orgânicas rendam mais nas semanas seguintes.
A contabilidade também não registra esses efeitos, já que trata a despesa como gasto do período. A diferença é que, na gestão, é possível criar hipóteses e testá-las. Por exemplo, reserve uma parcela da verba, digamos 15%, para campanhas de aquisição e reconhecimento, com meta de ROAS Real inferior ao equilíbrio, e acompanhe a evolução da recompra e do tráfego orgânico. Se após três meses a safra de clientes adquiridos gera margem acumulada superior ao gasto, a hipótese se confirma. Se não, a verba volta para campanhas de retorno mais direto.
- Defina o limite de perda aceitável por mês nas campanhas de aquisição.
- Acompanhe a margem acumulada por safra de clientes em trinta, noventa e cento e oitenta dias.
- Registre a hipótese e a data de revisão, para que a decisão não vire hábito sem avaliação.
Quem deve ser o dono do número
Para que a ponte entre contabilidade e gestão funcione, alguém precisa ser responsável pelo número do ROAS Real: definir a metodologia, manter as premissas atualizadas, resolver divergências e explicar o resultado nas reuniões. Em empresas pequenas, essa pessoa costuma ser o dono ou o responsável financeiro. Em empresas maiores, pode ser um analista de dados ou de controladoria.
O dono do número também faz a ligação com o contador e com o gestor de mídia. Quando há uma pessoa nesse papel, as discussões deixam de ser disputas sobre qual planilha está certa e passam a ser conversas sobre as premissas. Isso acelera as decisões e reduz o desgaste entre áreas.
Documentando a metodologia
Uma folha de metodologia de uma página evita muitos conflitos. Ela deve responder: quais pedidos entram no cálculo, como é calculado o custo de cada item, qual percentual de imposto é utilizado e quando foi revisado, como são tratadas taxas, fretes e devoluções, qual é a janela de atribuição e como são tratados os pedidos sem origem. Com a metodologia por escrito, qualquer pessoa consegue reproduzir o número e questionar uma premissa específica, em vez de duvidar do resultado inteiro.
Guarde também o histórico das alterações: quando uma premissa muda, registre a data e o motivo. Assim, quando o ROAS Real de uma campanha muda de um mês para o outro, é possível separar o efeito da mudança de premissa do efeito do desempenho real. Essa separação é uma das características que distinguem um indicador confiável de um número que "mudou, mas ninguém sabe por quê".
Três decisões que mudam quando você enxerga o ROAS Real
A diferença entre as duas visões fica mais concreta quando se observam as decisões que elas sustentam. A primeira é a alocação de verba. Com a visão contábil, a verba é discutida em termos de percentual do faturamento, por exemplo "gastar 15% da receita em mídia". Com o ROAS Real, ela passa a ser discutida por retorno marginal: quanto cada campanha devolve de margem, e onde o próximo real rende mais. Os dois métodos podem levar a orçamentos totais parecidos, mas a distribuição interna costuma ser bem diferente.
A segunda decisão é o preço. O demonstrativo mostra a margem média da empresa; o modelo por pedido mostra que uma categoria opera com 12% de margem de contribuição, e que nenhum ROAS razoável a sustenta. Nesse caso, a resposta pode ser reajustar o preço, reduzir o frete grátis ou retirar o item das campanhas, em vez de culpar a mídia. A terceira decisão é o estoque: ao saber quais produtos geram margem depois de mídia e frete, a empresa concentra as compras onde há retorno e limita a exposição em itens que só vendem com desconto.
- Verba: da regra de percentual do faturamento para a regra de retorno marginal por campanha.
- Preço: da margem média para a margem de contribuição por categoria e por canal.
- Estoque: da cobertura em dias para a cobertura ponderada pela margem depois de mídia.
Como começar esta semana
Não é preciso esperar um projeto grande. Em uma semana, é possível dar o primeiro passo com o que já existe. Exporte do ERP os pedidos aprovados do último mês, com custo, frete e origem. Peça ao contador o percentual gerencial de imposto por categoria. Exporte das plataformas o gasto por campanha. Cruze tudo em uma planilha, calcule a margem de contribuição e o ROAS Real das três maiores campanhas, e compare com o ROAS que o painel mostrava.
O resultado quase sempre traz ao menos uma surpresa: uma campanha melhor do que parecia ou pior do que se supunha. Essa primeira surpresa costuma ser suficiente para convencer a equipe de que vale transformar o exercício em rotina. A partir daí, a evolução natural é padronizar as premissas, automatizar a coleta e acompanhar o indicador toda semana.
Uma ressalva sobre realocar verba
O exemplo anterior sugere mover dinheiro da campanha deficitária para as lucrativas, mas é preciso cautela. O retorno de uma campanha não é constante: ao aumentar a verba do remarketing, o público disponível se esgota, a frequência dos anúncios sobe e o retorno marginal cai. A campanha A, que rende 2,20 com R$ 10 mil, pode render 1,6 com R$ 20 mil, e 1,1 com R$ 30 mil. O ponto certo de realocação é aquele em que o retorno do último real adicionado ainda supera o equilíbrio.
A forma segura de agir é testar em passos pequenos, aumentando a verba da campanha lucrativa em 15% a 20% e acompanhando o ROAS Real incremental por uma ou duas semanas. Se o retorno se mantém, avance mais um passo; se cai abaixo do equilíbrio, volte. A contabilidade não ajuda nessa decisão, justamente porque trabalha com totais mensais, enquanto a calibragem de verba exige leitura semanal.
Como construir a ponte entre contabilidade e gestão
A solução prática não é pedir à contabilidade que faça o trabalho gerencial, nem abandoná-la. É construir uma ponte entre as duas. Na ponta contábil, o contador fornece os parâmetros: regime tributário, alíquota efetiva, tratamento de taxas e de créditos. Na ponta gerencial, o dono e o time de dados usam esses parâmetros em um modelo por pedido e por campanha, alimentado pelo ERP e pelas plataformas de anúncios.
- Etapa 1, parâmetros: reunir com o contador para definir percentuais gerenciais de imposto por categoria e a forma de tratar taxas e devoluções.
- Etapa 2, dados por pedido: extrair do ERP custo, imposto, frete e status de cada pedido, ligados à origem de campanha.
- Etapa 3, modelo: calcular a margem de contribuição por pedido e somar por campanha, canal e categoria.
- Etapa 4, conciliação: comparar o total do modelo com o resultado contábil do mês, explicando as diferenças.
- Etapa 5, rotina: atualizar semanalmente e revisar os parâmetros com o contador a cada trimestre.
A conciliação da etapa 4 é a que dá confiança ao modelo. Se a soma das margens por campanha difere do resultado contábil, a diferença precisa ser entendida: pode ser competência, devoluções do mês seguinte, custos que o modelo não considera ou erros de lançamento. Cada diferença explicada é um ponto de melhoria, seja no modelo, seja na contabilidade.
Perguntas para levar ao contador
A conversa com o contador rende mais quando as perguntas são específicas. Uma lista de partida pode orientar a reunião.
- Qual é a alíquota efetiva de imposto sobre a venda, por categoria de produto, hoje e prevista para os próximos meses?
- Como as taxas de gateway e de marketplace estão lançadas: na receita líquida ou como despesa?
- Como as devoluções são tratadas e em que mês o efeito aparece?
- O custo das mercadorias é apurado por qual método, e com que frequência é atualizado?
- Existe algum benefício ou crédito tributário que altere a carga em determinadas operações?
- Como o relatório mensal pode trazer a abertura de marketing por plataforma, ainda que sem detalhar campanhas?
- Qual o prazo realista para ter o fechamento de cada mês?
Algumas dessas respostas podem levar a ajustes simples e úteis, como separar o plano de contas de marketing por plataforma ou lançar as taxas de marketplace em contas distintas. Pequenas mudanças de lançamento tornam o demonstrativo muito mais informativo, sem custo relevante.
O papel do ERP como terceira fonte de verdade
Entre a contabilidade e as plataformas de anúncios, o ERP funciona como a fonte operacional. Ele registra pedidos, itens, custos e status, em tempo próximo ao real. Por isso, é o melhor ponto de partida para construir o ROAS Real: tem a granularidade que a contabilidade não tem e as informações de custo e de situação que as plataformas não têm.
Para que o ERP cumpra esse papel, os cadastros precisam estar corretos. Custos desatualizados, devoluções registradas de forma solta e pedidos sem origem comprometem o cálculo. Uma boa prática é auditar mensalmente uma amostra de pedidos, refazendo a margem à mão e comparando com o modelo. A auditoria revela erros de cadastro antes que se transformem em decisões equivocadas.
Sinais de que sua gestão depende só da contabilidade
- As decisões de verba são tomadas ao receber o relatório mensal.
- O ROAS que circula nas reuniões é o do painel de anúncios, sem ajuste de margem.
- Ninguém sabe a margem por canal ou por categoria.
- O custo dos produtos é revisado apenas uma vez por ano.
- A empresa descobre o prejuízo de uma campanha semanas depois de ele ter ocorrido.
- As discussões entre marketing e financeiro giram em torno de números diferentes, sem uma definição comum.
Se três ou mais itens se aplicam, vale montar o modelo gerencial descrito acima. O investimento é moderado e o retorno costuma aparecer logo nas primeiras revisões de verba.
Erros comuns ao comparar contabilidade e ROAS Real
- Esperar que os números batam ao centavo: critérios e períodos diferentes produzem resultados diferentes. O objetivo é explicar a diferença, não eliminá-la.
- Culpar o contador: ele entrega o que o escopo da contabilidade exige. Pedidos de abertura adicional devem ser tratados como melhoria de processo.
- Ignorar a defasagem: comparar a receita de um mês com os custos de outro leva a conclusões erradas.
- Usar o ROAS Real como lucro final: ele não considera despesas fixas e não substitui o resultado operacional.
- Calcular uma vez e não atualizar: custos, impostos e preços mudam, e o modelo precisa acompanhar.
Rotina mensal e semanal que integra as duas visões
Uma rotina eficiente separa o que é semanal do que é mensal. Toda semana, o dono e o responsável de mídia revisam o ROAS Real por campanha, o caixa projetado e os alertas. Todo mês, após o fechamento da contabilidade, comparam o modelo gerencial com o demonstrativo, listam diferenças e atualizam os parâmetros. A cada trimestre, revisam com o contador a carga tributária efetiva e o tratamento de taxas e de devoluções.
- Semanal: ROAS Real por campanha, comparação com o equilíbrio, caixa projetado, pedidos não atribuídos.
- Mensal: conciliação entre modelo e demonstrativo, revisão de custos de produto, avaliação de categorias.
- Trimestral: revisão tributária, definição de metas de margem, avaliação de canais e de estratégia de mídia.
Quer ver o ROAS Real das suas campanhas?
O CFOai conecta seu ERP e seus anúncios e mostra quanto cada campanha deixa depois dos custos variáveis e da mídia.
Precisa de um painel sob medida?
A Fortunato Soluções monta um painel de BI com os dados da sua empresa. Comece com um diagnóstico gratuito de 30 minutos.
Perguntas frequentes
O ROAS Real substitui o relatório do contador?
Não. Ele cumpre outra função. O relatório contábil é a base legal e patrimonial; o ROAS Real é um indicador gerencial para decisões de mídia. Os dois devem coexistir e, idealmente, ser conciliados periodicamente.
Meu contador precisa mudar o que faz?
Na maioria dos casos, não. Algumas mudanças pequenas de lançamento, como separar contas de marketing por plataforma, ajudam bastante. O trabalho principal de modelagem por campanha acontece fora da contabilidade, a partir de dados do ERP e das plataformas.
Por que meu lucro contábil é diferente da soma das margens por campanha?
Por vários motivos: competência versus caixa, despesas fixas que o ROAS Real não considera, devoluções de períodos diferentes, custos médios versus custos por pedido e vendas não atribuídas a campanhas. O importante é conhecer e documentar as diferenças.
Qual a menor estrutura para começar?
Uma planilha com pedidos aprovados, custo do item, imposto gerencial, taxas, frete e campanha de origem já permite calcular o ROAS Real das cinco principais campanhas. A automação entra depois, quando o processo estiver validado.
Se quiser simular a margem de um produto antes de montar o modelo completo, use a calculadora de margem do CFOai.
A Fortunato Soluções ajuda empresas a construir essa ponte entre ERP, contabilidade e plataformas de anúncio, e o CFOai automatiza o cálculo do ROAS Real para acompanhar a margem de cada campanha.
Conclusão: contabilidade conta o passado, gestão decide o próximo real
A contabilidade mostra, com rigor, o que aconteceu com a empresa no período e cumpre as obrigações que a lei exige. O que ela não mostra, por desenho, é a margem de cada campanha, a diferença entre o custo médio e o custo de cada pedido, o efeito de devoluções e taxas por canal e o impacto de um aumento de verba em tempo real. Essas respostas vêm de um modelo gerencial alimentado pelo ERP e pelas plataformas de anúncios.
O caminho recomendado é combinar as duas visões: alinhar com o contador os parâmetros de imposto e de taxas, construir o cálculo por pedido e por campanha, conciliar o resultado com o demonstrativo mensal e usar o ROAS Real para decidir a verba semana a semana. Com isso, o dono deixa de descobrir no fim do mês o que poderia ter percebido na primeira semana, e a mídia passa a ser administrada como o que ela é: um investimento que precisa dar retorno.